Curso forma agentes de resíduos sólidos com foco na responsabilidade ambiental

Criado em: 16/11/2020 às 18:41 por: Carmem Daniella Spínola da Hora
Atualizado em: 16/11/2020 às 18:45

Em 2020 a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) completou dez anos e o Brasil ainda alcança altos índices de destinação incorreta do lixo, além de uma taxa mínima de reciclagem. O objetivo central da PNRS é o “enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos”. Para tanto, tem como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos, bem como a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos – aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado.

Destinação incorreta do lixo ainda é alta no Brasil.


O Brasil está caminhando a passos lentos para solucionar essas questões e isso tem gerado uma demanda por profissionais qualificados que reflitam sobre como desenvolver soluções sustentáveis. Foi com esse intuito que o Programa Novos Caminhos na Escola Agrícola de Jundiaí ofereceu o curso Agente de Gestão de Resíduos Sólidos. “De uma forma geral procuramos desenvolver uma reflexão analítica sobre a geração e o tratamento dos resíduos sólidos, fornecendo aos alunos conhecimentos específicos sobre o gerenciamento destes e buscando, acima de tudo, formar um cidadão consciente, que possa agir profissionalmente em um caminho mais sustentável, característica cada vez mais valorizada pelo atual mercado de trabalho”, explicou a professora Ana Paula Câmara, coordenadora do curso. 
 
Organização das aulas
 
Para atender ao cronograma de estudos, o curso foi estruturado em três módulos principais. No primeiro deles, os professores trabalharam o tema “Sociedade, meio ambiente e segurança”; no segundo, o foco foram os aspectos jurídicos e as certificações; e, no terceiro, foi dada ênfase aos aspectos tecnológicos. Com uma equipe de professores constituída por profissionais de diferentes formações, as disciplinas foram construídas e ofertadas de forma participativa. 
 
Inicialmente, a previsão era atender uma demanda de 100 alunos distribuídos em duas turmas. No entanto, devido à alta procura durante o período de inscrições, o Programa acabou abrindo 11 turmas, com um número de alunos superior a mil matriculados. Para o professor Lúcio César Dantas, um grande desafio foi trabalhar na modalidade de Educação a Distância, “porém, com o início das aulas ficou nítido que as interações virtuais geraram um ótimo resultado devido à boa participação que obtivemos”, comemorou o professor.

Muito do êxito obtido foi fruto dos recursos utilizados e do constante esforço de toda a equipe envolvida. “No decorrer do curso, utilizamos materiais escritos, videoaulas, vídeos complementares, entrevistas com alguns profissionais e, ao mesmo tempo, procuramos fazer uso de fóruns e outras ferramentas participativas que focassem na discussão”, apontou a professora Ana Paula. Segundo ela, essa metodologia proporcionou que os encontros online fossem mais dinâmicos. 

E isso também foi apontado como ponto positivo pelos alunos. Nos fóruns promovidos pelo curso destacam-se as diversas declarações postadas, oportunidade em que os discentes mencionaram o quanto o curso estava sendo importante para suas formações e atuações profissionais, e ainda, o quanto estavam gostando dos materiais e metodologias empregadas.
 
De olho no mercado

Diante da demanda da área de gestão de resíduos sólidos por profissionais qualificados, uma contribuição efetiva que foi pensada para a formação dos discentes é a elaboração de um projeto final de curso. Segundo a coordenadora, ao final do último módulo, os participantes receberão instruções de como elaborar um projeto de trabalho relacionado à sua área, como forma de incentivar o aluno a aplicar os conhecimentos adquiridos no decorrer do curso e simular uma atuação profissional. “O que esperamos com essa simulação é que o ingresso desse aluno no mercado de trabalho seja facilitado, devido à experiência adquirida”, explicou Ana Paula.

Dessa maneira, unindo teoria e prática, o curso cumpre com sua missão de formar um profissional cidadão consciente de sua responsabilidade socioambiental, que busca atuar com sustentabilidade.

Saiba mais

Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos 2018/2019, que se configura como a pesquisa mais atual sobre o tema, realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), em 2018 foram geradas no Brasil 79 milhões de toneladas de resíduos. Desse montante, 92% (72,7 milhões) foi coletado. Esse dado, porém, evidencia que 6,3 milhões de toneladas de resíduos não foram recolhidas junto aos locais de geração.

No tocante à destinação adequada desse material, a pesquisa revela que, do total coletado, 59,5% foram depositados em aterros sanitários. O restante (40,5%) foi despejado em locais inadequados. Observa-se, assim, que 29,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos acabaram jogados em lixões ou aterros que não possuem condições necessárias para proteger a saúde das pessoas, bem como preservar o meio ambiente contra degradações.

Quase metade dos municípios brasileiros pesquisados ainda despeja resíduos em lixões, que são depósitos irregulares e ilegais. Além disso, de acordo com o estudo, 1 em cada 12 brasileiros não recebe serviços regulares de coleta de lixo porta a porta, o que corresponde a 17,8 milhões de cidadãos. Outro dado alarmante diz respeito à reutilização dos resíduos: apenas 3,85% do que é coletado no país passa por algum processo de reciclagem. 

“Enquanto o mundo avança em direção a um modelo mais moderno e sustentável de gestão de resíduos, o Brasil continua apresentando as deficiências verificadas há vários anos, ficando abaixo dos indicadores médios de nações da mesma faixa de renda e desenvolvimento”, é umas das conclusões apresentadas na pesquisa.

Para reverter esse quadro, é necessário que se desenvolva na população o senso de responsabilidade individual sobre o impacto ambiental provocado pelos seus hábitos de consumo e pela forma com que descartam seus resíduos, assim, a sociedade atual e as gerações futuras poderão desfrutar de uma vida mais sustentável e equilibrada.

Conscientização é a palavra de ordem.