O estímulo à piscicultura como reconhecimento do seu potencial econômico

Criado em: 01/10/2020 às 19:37 por: Carmem Daniella Spínola da Hora
Atualizado em: 28/10/2020 às 13:54

Segundo a Divisão de Pesca da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o pescado é a proteína animal mais produzida e consumida mundialmente. A comercialização de pescado é o maior negócio entre todas as proteínas animais no mundo, superando o consumo de carnes bovina, suína e de aves.

Mesmo diante desse quadro favorável, a cadeia produtiva da aquicultura no Brasil ainda necessita aparar arestas que dificultam seu pleno desenvolvimento. Entre as barreiras enfrentadas pelo setor, pode-se destacar a dificuldade em obtenção de licenças ambientais, forte concorrência com o mercado estrangeiro, deficiência na infraestrutura para um manejo adequado da criação, assistência técnica insuficiente e carência de profissionalização.

É inegável o potencial aquícola que o Brasil apresenta e, por esse motivo, a criação de peixes para comércio tem sido estimulada. “Em função da experiência com o curso de criação de peixes ornamentais, para o qual tivemos mais de três mil inscritos, imaginamos a quantidade de alunos que poderíamos ter com o de piscicultura, que é uma área já consolidada e conta com diversos profissionais”, ponderou o professor Paulo Mario Faria, coordenador do curso Aquicultor: produção comercial de peixes, no Programa Novos Caminhos na Escola Agrícola Jundiaí/UIFRN.

Peixe é a proteína animal mais consumida no mundo.


Organização das aulas

Para a formação da primeira turma do curso, o passo inicial foi a abertura de um edital para contratar professores em áreas específicas, como, por exemplo, reprodução de peixes, limnologia, qualidade de água, nutrição. Segundo o professor Paulo, participaram da seleção profissionais de todo o país, professores de universidades, pessoas que atuam em órgãos governamentais, profissionais liberais, que trabalham em associações da área, cada um com sua experiência dentro da piscicultura. Como a ideia inicial seria ter dois mil alunos divididos em turmas de 100 participantes, foram selecionados e contratados 20 professores, para atender a essa demanda.

Ao contrário da aquicultura ornamental, que é uma cadeia produtiva ainda em crescimento, a piscicultura já possui um nível de estrutura e organização consolidado. Em virtude desse cenário, Paulo Faria explica que a metodologia aplicada foi um pouco diferente: as aulas são todas gravadas, possibilitando ao aluno entrar na plataforma e assistir a qualquer momento, mas, sempre no final dos módulos, acontece uma aula ao vivo. “No início de setembro, por exemplo, tivemos um encontro reunindo os 20 professores do curso, tirando dúvidas dos alunos sobre tudo que foi discutido ao longo das aulas”, explicou o coordenador. Ele adiantou que, no final do próximo módulo, em outubro, será convidado um palestrante externo para trocar ideias e relatar experiências, como forma de motivar os discentes. 

Essas aulas ao vivo contemplam todas as turmas do curso, ou seja, são oferecidas para os dois mil alunos. Mesmo não conseguindo reunir todos ao mesmo tempo, o professor Paulo relata que a média de participação nesses encontros é de 600 alunos e que os demais assistem em outros momentos o que fica gravado, para complementar a carga horária exigida.

Superando expectativas

“Temos uma assiduidade muito boa dos alunos, eles estão realmente gostando das aulas”, comemora Paulo Faria. Com a experiência do curso anterior, de criação de peixes ornamentais, a equipe conseguiu aperfeiçoar a metodologia didática, como, por exemplo, sanando dificuldades de gravação e edição das aulas e revisando conteúdos. “Atualizamos tudo no curso de piscicultura, então está bem organizado, muito bem feito, contamos com profissionais excelentes, com experiência mais específica em algumas áreas, e assim conseguimos juntar muita coisa boa nesse curso”, finalizou.

Saiba Mais

O pescado tem grande importância na economia, na saúde, na cultura e na vida do brasileiro. O Brasil, que já foi considerada a nação com maior potencial para o desenvolvimento da pesca e aquicultura, hoje, ocupa a 13ª posição na produção de peixes em cativeiro e é o 8º na produção de peixes de água doce. 

Dados do Anuário 2020 da Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR), divulgados em fevereiro deste ano, apontam que a cadeia produtiva de peixes brasileira cresceu 4,9% em 2019, com 758.006 toneladas produzidas. Desse total, a tilápia representa 57% da produção do país, o que torna o Brasil o quarto maior produtor mundial da espécie. Os peixes nativos, liderados pelo tambaqui, participam com 38% e outras espécies com 5%. 

Ainda de acordo com os dados do Anuário da PeixeBR, a cadeia da produção de peixes cultivados no Brasil, no ano passado, atingiu receita em torno de R$ 7 bilhões, gerando cerca de 1 milhão de empregos diretos e indiretos. O ranking dos 10 maiores produtores do país é encabeçado pelo Estado do Paraná. Confira abaixo:

Estado do Paraná lidera ranking de produtores.



Para conhecer mais sobre o curso de Aquicultor: Produção comercial de peixes, acesse AQUI.