Interação entre alunos ignora diferenças geográficas e culturais

Criado em: 30/09/2020 às 18:25 por: Rosana Rayssa Pimentel
Atualizado em: 05/10/2020 às 09:13

Fórum, chat, videochamadas, grupos de WhatsApp. O que não faltam são canais de comunicação entre os alunos do professor Henrique Rocha, que coordena o curso de Caprinocultor do Programa Novos Caminhos, na UFRN.  A primeira oferta por meio da Escola Agrícola de Jundiaí para esse curso contempla mais de 160 alunos vindos de todos os estados brasileiros. Eles têm idades, histórias e níveis de escolaridade tão diversas quanto as distâncias geográficas que os separam. Mas tanta diversidade não impede que os estudantes interajam diariamente, troquem experiências e aprendam com professores e colegas.

Interação acontece por plataformas variadas. Imagem: Pixabay

Aliás, o coordenador comemora o nível de participação da turma: “no início, eu achei que essas diferenças regionais não fossem interferir, mas confesso que existia um pouco de medo”. No entanto, ele comenta que a resposta foi positiva. “Eu sempre coloco algumas particularidades de cada região para eles perceberem que há problemas diferentes em cada lugar, depois eles mesmos discutem de forma independente sobre os detalhes, fazem perguntas uns aos outros, criam seus próprios canais de discussão”, diz.

O curso de Caprinocultor possui dois perfis principais de estudante: um formado por alunos mais jovens, que estão na graduação e outro de pessoas que estão aposentadas ou próximas disso e estão buscando uma nova atividade. “Nunca se é velho para aprender e os maiores exemplos que tenho nesse curso vêm desse segundo grupo” comenta, o coordenador. Foi deles que partiu uma proposta de que houvesse pelo menos dois encontros semanais ao vivo. Entre eles, há também alunos que são produtores rurais e começam a aplicar os novos conhecimentos para melhorar suas atividades ou que estão empolgados aprendendo a usar ferramentas digitais. 

O coordenador conta que uma das alunas, que é produtora há muitos anos, voltou para o interior, por causa da pandemia, e começou a mudar práticas, seguindo as orientações do curso. “Ela entra rigorosamente todos os dias na plataforma, sempre faz perguntas, aplica os conhecimentos no dia-a-dia, tem melhorado o rebanho e está animada porque está aprendendo a mexer no celular”, destaca.

O outro grupo, formado principalmente por estudantes universitários e de nível técnico busca, no geral, aprimorar a formação. “Eles têm aqui [no Programa Novos Caminhos] uma chance de fazer pequenos cursos e aprender mais do ponto de vista profissional”, comenta, o coordenador.  Há ainda aqueles que perderam o emprego, mas estão usando o tempo livre para se capacitar e buscar outro trabalho ou iniciar sua própria atividade. 

De acordo com Henrique Rocha, a presença de jovens que produzem animais caprinos para suas famílias e vendem o excedente para gerar renda extra, também é comum, além daqueles que não vão trabalhar especificamente na área, mas adquirem informações que podem ser utilizadas de outras formas: “Minha expectativa era formar pessoas aptas a trabalhar na produção, com noção de gerenciamento, e ter perspectivas de crescimento como funcionário ou que pudessem gerar renda para eles. Mas alguns que não vão trabalhar na área, aprenderam também uma coisa nova que vão usar para a vida, então espero que o Programa continue e que possamos montar uma segunda turma”, finaliza.