Dia Mundial para preservação da camada de ozônio acende alerta para preservação do meio ambiente

Criado em: 17/09/2020 às 18:22 por: Carmem Daniella Spínola da Hora
Atualizado em: 01/10/2020 às 17:07

     No dia 16 de setembro é celebrado o Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozônio, instituído na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1994, em comemoração pela assinatura do Protocolo de Montreal, que ocorreu na mesma data, em 1987.
     O Protocolo, assinado por 197 países, determina a regulação da produção, consumo e emissão de produtos nocivos à camada de ozônio, como clorofluorcarbonos (CFCs) e os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs), encontrados em equipamentos de refrigeração e ar-condicionado e, também, espumas de colchões, estofados e volantes de carro.

Como o próprio nome sugere, essa data tem como principal objetivo conscientizar a população mundial e governos sobre a importância da preservação da camada para garantir a estabilidade da vida na Terra. 
 
O que é a camada de Ozônio e por que é importante preservá-la?
 
     A camada de ozônio é uma defesa natural da Terra contra os raios ultravioletas (UV-A, UV-B e UV-C), extremamente nocivos para os seres vivos. Serve como um escudo, pois absorve a maior parte da radiação ultravioleta que chega do Sol e seu desaparecimento impossibilitaria a sobrevivência no planeta.
     Localizada na estratosfera terrestre, que fica entre 11 e 40 km de altura, a concentração de ozônio, nessa altitude, protege os seres vivos de diversos fatores relacionados à saúde e ao equilíbrio ambiental. Entre esses fatores, podem ser citados: câncer e outras doenças de pele, problemas relacionados à visão, aquecimento global, efeito estufa, alteração do ciclo da água, derretimento das calotas polares, aumento do nível dos oceanos e perda de biodiversidade.
     A cooperação internacional no sentido da diminuição do uso de produtos químicos que destroem a camada de ozônio está ajudando na sua recuperação. Em setembro de 2019, imagens de satélite feitas pela NASA revelaram que o pico anual do “buraco” na camada de ozônio havia encolhido para 16,4 milhões de quilômetros quadrados, a menor extensão desde 1982.

Imagens de satélite da NASA mostram a recuperação da camada de ozônio.


     Esses esforços estão valendo a pena, de acordo com o estudo apresentado em março deste ano na Revista Nature, publicação científica britânica. A pesquisa revela que, desde o ano 2000, vêm diminuindo os níveis de substâncias lançadas pela humanidade na atmosfera que contribuem para destruir o ozônio. No entanto, ainda não é o momento de comemorar, uma vez que a quantidade de produção e consumo dessas substâncias permanece alta o suficiente para que a camada continue sendo destruída. 
 
Brasil e o Protocolo de Montreal
 
     O Brasil assinou seu compromisso com o Protocolo de Montreal em 1990 e, em 2010, extinguiu o consumo dos CFCs no país. Em relação aos HCFCs, a queda na produção e no consumo dessas substâncias tem sido significativa, resultado das ações do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), criado em 2011 e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).
     Segundo o Ministério, o programa busca sensibilizar os consumidores das Substâncias Destruidoras da Camada de Ozônio (SDOs), principalmente os setores de refrigeração, espuma e serviços associados, a adotarem uma estratégia de controle, redução e eliminação dessas substâncias.
     Conforme cronograma estabelecido pelo Protocolo de Montreal para os países em desenvolvimento, o Brasil deve eliminar por completo os HCFCs até 2040.
 
A importância da preservação da camada de ozônio para o meio ambiente
 
     Nos anos de 1990, esse tema foi bastante debatido e, é válido ressaltar, surtiu efeito positivo: desde a primeira década deste milênio, a ONU apresenta informações favoráveis quanto à recuperação da camada protetora da Terra.
     De lá pra cá, esse debate acendeu um alerta quanto às questões de preservação do meio ambiente. Se por um lado comemora-se a redução na destruição da camada de ozônio, por outro, nos últimos anos, observa-se o foco do debate nas mudanças climáticas e no aquecimento global, questões que, inegavelmente, estão associadas.
     De acordo com a profa. Ana Paula Câmara, coordenadora do Curso de Agente de Gestão e Resíduos Sólidos no Programa Novos Caminhos, no âmbito da Escola Agrícola de Jundiaí/UFRN, essas questões acarretam diretamente impactos negativos ao meio ambiente.
     As mudanças climáticas e o aquecimento global provocam a redução de recursos naturais disponíveis para práticas sustentáveis em setores, como, por exemplo, de agropecuária, aquicultura e agroindústria, em todas as suas vertentes. A professora cita, ainda, o dano provocado pelo aumento das doenças causadas pelos contaminantes utilizados em suas produções, sem controle do impacto ambiental.
     Segundo a coordenadora, podem ser feitas ações para diminuir esses impactos nocivos, a partir do ambiente de formação profissional. “Para minimizar, podemos iniciar com a conscientização ambiental de forma multidisciplinar com nossos estudantes, aplicar práticas sustentáveis no nosso ambiente escolar, tornar nossos estudantes agentes multiplicadores do desenvolvimento sustentável na sociedade”, apontou Ana Paula.
     De forma efetiva, são ofertadas disciplinas, como nos cursos da área de Agroindústria, entre as quais, Gestão Ambiental e Embalagens de Alimentos. Nessa última, os estudantes, futuros profissionais, são conscientizados a utilizar embalagens sustentáveis. A profa. Ana Paula informou, ainda, que existe um projeto de descarte correto e reutilização dos resíduos sólidos gerados na EAJ e que, entre as ações desse projeto, foi excluído o uso de copos descartáveis no ambiente da Instituição.
 
Atitude é a palavra-chave
 
     Além de apresentar cenários futuros sobre como os impactos ambientais podem destruir a camada de ozônio, durante esta data também são apresentadas, em todo o mundo, soluções de como encorajar atitudes favoráveis ao ambiente, evitando o desgaste dessa barreira natural.
     “Nunca é tarde para a recuperação do nosso planeta. Pequenos gestos, hoje, podem ser grandes amanhã”, concluiu Ana Paula.
Preservar o meio ambiente é garantir a vida.